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Edição de 01-09-2010

Arquivo: Edição de 11-03-2009

SECÇÃO: Opinião

1 e 99 – que barato!

Ainda deixando o centenário de nascimento de Carmen Miranda ecoar nas nossas vidas, aproveito para analisar um interessante trabalho fonográfico que chegou às minhas mãos recentemente. Trata-se do CD da banda brasileira 1 e 99, integrada pelo vocalista (também sampleador e programador) Rody, pelos teclados de Eliseu Fiúza, pela guitarra de Paula Lör/Robinho Barreto e pela bateria de André Braga. Fugindo da “bananalização” dada à figura da cantora/intérprete, que freqüentemente recai quase que num estereótipo ou numa versão caricatural da forte (e, aí sim, até mesmo falicamente masculina) presença de Carmen, o grupo faz um “remake” inventivo sobre treze canções gravadas por ela, com estilos diversificados que vão do funk ao free style, passando pelo house tribal e o rhythm & blues, entre outros, sem cerimônia, pudor, censura ou “distorção” de estilos. Nessa profusão de possibilidades imprevisíveis, marchinhas e sambas se transmutam, se transformam, se “camaleonizam”, “... sem pecado nem perdão...”, como escreveu Caetano Veloso em “Alguém cantando”. É uma turma que chega mesmo com tudo, “metamorfoseando” a já metarmofoseante Carmen, com medidas certas e sem “exageros dragqueenianos”, que poderiam por em risco todo o trabalho. Antes disso, a “1 e 99” dá um outro colorido à uma parcela da obra de Carmen, mostrando que essa salutar “brincadeira à sério” é possível, viável e faz muitíssimo bem! Pode até virar um fator de atração para as faixas mais jovens, em qualquer canto do mundo, fazendo uma nova “apresentação” da atômica Carmen a um outro tipo de público, menos afeito a essa situação. O preço disso tudo no final, ao contrário de ser “economicamente barato”, transformou-se num “barato total”, como diria semanticamente Gilberto Gil em uma de suas músicas. E taí: vê-se transbordar alegria por tudo que é lado. É assim que a banda mostra “o que é que a Carmen Miranda tem”, que vai muito além dos balangandãs e pulseiras, dos turbantes tuttifruticamente enfeitados, das roupas com cara rumbada, dos pisantes plataformados...A turma soube como colocar Carmen no tamanho apropriado, retirando o desnecessário e extraindo o que há de melhor nela, numa misturação concreticamente tropicalista...

Por: Luíz Carlos Almeida Araujo

Tempo de leitura: 2 m
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