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Edição de 03-02-2010

Arquivo: Edição de 12-08-2009

SECÇÃO: Região

Santo António pregou aos peixes, Fernando Andrade dá-lhes música

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Serve este meu escrito para dar a conhecer aos leitores duas curiosidades. Uma delas tem a ver com o maior rio que desagua em Portugal, o Tejo, que nasce na serra de Albarracim, em Espanha, e desagua no Oceano Atlântico por um largo estuário, com cerca de 260 Km2, alguns quilómetros adiante de Lisboa, em São Julião da Barra. Mas o que a maioria dos portugueses não sabe é que também existe uma Teja.

É isso mesmo, uma ribeira com o nome de Teja, que nasce em Castaíde, da freguesia de Sta. Maria, Trancoso, e vai desaguar ao rio Douro, na Quinta de Vezúvio, Vila Nova de Foz Côa, em forma de cascata.

Agora vem a melhor, na freguesia do Terrenho, concelho de Trancoso, na referida ribeira, foi feita e mais tarde inaugurada, em 1998, uma barragem para abastecimento de água às populações do concelho, um dos muitos e arrojados empreendimentos com que a Câmara tem impulsionado e desenvolvido esta região da Beira Interior.

Mas dizia eu, que agora vinha a melhor, pois é, foi na barragem do Terrenho, enquanto eu, nas minhas férias, por aquelas paragens passeava, que vi o Sr. Fernando Andrade a fazer duas coisas ao mesmo tempo. A pescar e tocar concertina, e, a avaliar pela foto que junto, onde se pode ver um peixe, parece que o engodo resulta.

Aproximei-me e quis falar com o pescador ou tocador de concertina. Depois de feitas as apresentações, disse-me: “Moro aqui perto, no Terrenho, sou conhecido pelo homem da camisa e boina preta, sou coveiro, caçador, agricultor, pescador e tocador de concertina, venho para aqui, se pescar pesquei, se não pescar, distraio-me com a música”.

Na minha conversa com aquele homem de falas brandas, notei-lhe no rosto, no olhar e nos gestos aquilo a que por lá se diz: “Um beirão retinto, puro e simples amigo do seu amigo”. Mas mais, fiquei também a saber que é de uma família de músicos, a filha Marta de 9 anos toca concertina e a sua esposa Leonor toca cavaquinho.

Perguntei a terminar: “Então a vida corre-lhe bem?”, respondeu: “Corre sim senhor e quando não correr, a música dará uma ajuda”.

“Adeus amigo, vou continuar a minha viagem. Se me mandar uma foto com o Sr. a pescar e a tocar concertina, eu faço-lhe um artigo no jornal!”, “Fala a sério? Não durmo enquanto não vir o meu nome no jornal!”.

Parti na esperança do director deste jornal dar também o seu contributo na realização do sonho deste homem.

Texto de: Firmino Adão Canhoto

Foto de: Paulo Andrade

Tempo de leitura: 2 m
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